Para a Rita

Ilustração 30x40cm

“Vejo-me a mim e à minha avó Milota. Ela partiu em 2019, no dia 14 de Maio. Claro que teve que esperar que terminasse o 13 de Maio, não fosse ela a pessoa mais religiosa que conheci, que rezava o terço todos os dias e todos os dias fazia arranjos florais para a igreja da aldeia dela. Teve um corvo como animal de estimação, companheiro das horas vagas. Fez vestidos de casamento, roupa de todos os tipos, mas tinha uma paixão quase obsessiva pela renda. Deixou-nos jogos e jogos quase infinitos de renda, e o coração apertado de saudades. (…)

Das melhores memórias que tenho dela, de nós as duas, é de estarmos sentadas à noite, no cimo das escadas que davam acesso à casa dela, em pleno verão transmontano, quente, abafado, à luz da lua. Ela irremediavelmente torta, pela escoliose que a posição de fazer na renda lhe deu, eu a ler e a responder a cusquices dela ou a questioná-la sobre histórias do seu passado. 

Tenho saudades da avó Milota.”

Junho 2022

For Rita

30x40cm Illustration

“I see myself and my nana Milota. She left us in 2019, on the 14th of May. Of course, she had to wait for the 13th of May, being the most religious person I knew, who prayed the rosary every day, and every day made floral arrangements for the church in her village. She had a raven as a pet, her spare time companion. She made wedding dresses, clothes of all kinds, but she had an almost obsessive passion for lace. She left us almost infinite sets of lace. (…)

One of the best memories I have of her, of the two of us, is of us sitting at night, at the top of the stairs that gave access to her house, in the middle of the Trás-os-Montes summer, hot, stuffy, in the moonlight. She would be hopelessly crooked, from the scoliosis that the lace-making position had given her, me reading and listening to her gossip, or questioning her about stories from her past.

I miss grandma Milota.”

June 2022

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